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Dia Mundial do Mico Leão Dourado

criado em 03/08/2021 - atualizado em 03/08/2021 | 12:11

 

 2 de Agosto: dia Internacional do Mico-leão-dourado

(International Golden Lion Tamarin Day)

 

Essa data foi instituída em virtude da importância do Programa de Proteção do Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia) como exemplo bem-sucedido do esforço para se salvar uma espécie da extinção. Além disso, esse dia coincide com a criação da Associação Mico-Leão-Dourado, no ano de 1993.

 

Ao longo dos anos, o estado de conservação dessa espécie melhorou, saindo de uma categoria onde o risco de desaparecer da natureza era extremamente alto - “Criticamente em perigo” - para uma categoria onde esse risco é um pouco menor - “Em perigo”, mas ainda continua ameaçada de extinção. Na década de 1970, devido ao tráfico de animais silvestres, a população de mico-leão-dourado na natureza chegou a cerca de 200 animais. Foi, então, que se estabeleceu um modelo de cooperação global em prol de uma espécie ameaçada. O sucesso do trabalho integrado fez com que essa população chegasse a 3.700 animais vivendo em ambiente natural, segundo o censo populacional feito pela Associação Mico-Leão-Dourado, em 2014. No entanto, com o surto de febre amarela que atingiu a população de micos a partir do final de 2017, houve uma redução de 32,4% dessa população, chegando em 2019 a cerca de 2.500 indivíduos. A situação foi ainda mais crítica em um dos principais refúgios da espécie, a Reserva Biológica de Poço das Antas (RJ), onde a população foi reduzida de 380 indivíduos para apenas 33 micos.

 

Os zoológicos desempenham um papel fundamental para a conservação das espécies na natureza. Atualmente, cerca de um terço da população selvagem de micos-leões-dourados descende dos indivíduos nascidos nessas instituições e que participaram de um programa de reintrodução no período de 1984 a 2001. Ao longo desses 17 anos, 146 animais nascidos sob cuidados humanos em 43 zoológicos, de oito países e três continentes, retornaram às matas de seus antepassados.

 

Para garantir a sobrevivência da espécie, pesquisadores da Associação Mico-Leão-Dourado definiram uma meta: “até 2025, o objetivo é atingir uma população mínima de 2.000 animais vivendo livremente em 25 mil hectares de florestas conectadas e protegidas”.

 

Por tudo isto, essa é uma data importante para se chamar a atenção das pessoas para o que vem acontecendo com as espécies silvestres em todo mundo e os esforços para minimizar as ameaças que as acometem.

 

Abaixo, seguem uma atividade educativa e informações sobre a espécie para que você nos ajude nesse desafio de preservá-la, compartilhando conhecimento. 

 

O Jardim Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB apoia essa ideia. E você?

 

LABIRINTO DO MICO-LEÃO-DOURADO: ajude-o a chegar na mata onde vive! 

 

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Mico-leão-dourado

Leontopithecus rosalia

Golden Lion Tamarin

 

 

Características

É um primata de pequeno porte, cujo corpo mede de 25 a 35 centímetros, pesando entre 535 e 620 gramas. A cauda tem de 30 a 40 centímetros e não é preênsil, o que significa que não pode ser usada para segurar. No entanto, ela o auxilia no equilíbrio e lhe permite uma incrível agilidade nas árvores.

 

A rica pelagem que forma a juba, semelhante à dos leões, é responsável pelo seu nome popular.

 

Possui mãos e pés estreitos e compridos, com dedos longos e unhas em forma de garra, que facilitam a coleta de insetos nas frestas presentes nas cascas das árvores.

 

 

Estado de conservação da espécie

Aparece na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, na categoria “Em Perigo” (IUCN, 2021-1 e ICMBio, 2014).

 

Os recentes censos populacionais realizados pela Associação Mico-Leão-Dourado, em 2014, encontraram 3.200 animais. Logo em seguida, o censo foi revisado e chegou-se ao número de 3.700 micos-leões-dourados, em 41 mil hectares de floresta, ainda fragmentada. No entanto, com o surto de febre amarela que se abateu sobre a população de micos a partir do final de 2017, novo censo foi realizado e constatou-se uma redução de 32,4%. Os 3.700 animais registrados no censo de 2014 foram reduzidos a cerca de 2.500.

 

Ocorrência

É uma espécie endêmica, isto é, ocorre somente na Mata Atlântica de baixada costeira do Estado do Rio de Janeiro. Não é restrita a habitats primários e apresenta tolerância a ambientes modificados. Sobrevive em florestas secundárias desde que existam recursos disponíveis, como alimento disponível o ano inteiro e existência de ocos de árvores para servir de dormitório para os grupos.

 

Alimentação

É onívoro. Sua dieta é constituída de frutos, sementes, néctar de flores, pequenos vertebrados e insetos.

 

Hábitos

Possui hábitos diurnos (são muito ativos durante o dia). São também territorialistas: cada família de mico-leão-dourado precisa de, pelo menos, 50 hectares de floresta, como área de vida.

 

Para dormir, o mico-leão-dourado utiliza ocos de árvores ou densos emaranhados de vegetação no alto das árvores, aconchegando-se uns sobre os outros.

 

Cada grupo defende seu território e não permite invasões. Quando isso acontece, os grupos entram em conflito, emitindo vocalizações para demonstrar seu domínio territorial. Ocasionalmente, podem ocorrer disputas físicas.

 

Reprodução

A maturidade sexual é atingida aos quatro anos de idade.

 

Reproduz uma ou duas vezes por ano, com gestação de quatro meses e meio. Nascem de um a três filhotes, sendo gêmeos na maioria dos casos e pesando cerca de 60 gramas cada. Os nascimentos acontecem, geralmente, entre setembro e março, época de abundância de alimento.

 

Os recém-nascidos passam os primeiros dias de vida pendurados ao ventre materno; depois disso é o pai quem os carrega no dorso, cuida e os limpa; a mãe se aproxima somente para a amamentação.

 

Quando os filhos crescem, saem do grupo por iniciativa própria ou são expulsos para que procurem um par em outro núcleo e formem a própria família, garantindo assim a diversidade genética da espécie.

 

Principais ameaças

Como principais ameaças à sobrevivência da espécie, historicamente destaca-se a redução e a desconexão do habitat devido à sua destruição por queimadas, estabelecimento de propriedades rurais, expansão urbana ocasionada principalmente pelo aumento da extração de petróleo e a necessidade de implantação e/ou duplicação de rodovias e, também, a captura para o tráfico de animais silvestres. Mais recentemente surgiram novos desafios para a conservação da espécie, como a competição e/ou a reprodução com outras espécies que foram introduzidas, e que originalmente não ocorrem no mesmo habitat. Outro fato inesperado, foi o surto de febre amarela que atingiu a população de micos a partir do final de 2017.

 

Estratégias de conservação

Atualmente, existem vários instrumentos legais de proteção a esta espécie – que aparece listada no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES) e faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos da Mata Atlântica Central.

 

O manejo populacional em vida livre e o reflorestamento nas áreas de ocorrência da espécie, visando aumentar a conectividade florestal, são outras estratégias para contribuir para a conservação desses animais.

 

A atenção nacional e internacional para a situação da espécie surgiu dos esforços de pesquisa e conservação há cerca de 40 anos, o que levou à implantação do Programa de Conservação do Mico-leão-dourado, que teve como resultado inicial a criação da Reserva Biológica de Poço das Antas – uma Unidade de Conservação de proteção integral na área de ocorrência desta espécie. Outro resultado foi a institucionalização do Programa de Conservação com a criação da Associação Mico-leão-dourado, que há quase três décadas vem dando continuidade a esses trabalhos. Vale destacar o estreitamento de parcerias com universidades brasileiras, o que vem gerando novas pesquisas e ações de conservação por estudantes e professores.

 

Atualmente, visando minimizar os sérios impactos que a duplicação da BR-101 provocou nas unidades de conservação na área de ocorrência dessa espécie, foi inaugurado em agosto de 2020 o primeiro viaduto vegetado em rodovia federal no país. Esta conquista se deve a uma das condicionantes estabelecidas no processo de licenciamento ambiental da obra. O viaduto foi construído no Km 218, no município de Silva Jardim e irá possibilitar a conexão das populações de mico-leão-dourado da Reserva Biológica de Poço das Antas com seus vizinhos que vivem em outras áreas protegidas. É importante destacar que uma população de animais que vive em um fragmento florestal isolado pode até não sofrer impactos visíveis a curto prazo, mas com o passar do tempo a tendência é que esses animais acabem se reproduzindo entre si, o que diminui a variabilidade genética, representando assim um risco para a conservação da espécie a longo prazo.

 

A fim de reduzir os danos provocados pelo surto de febre amarela, os pesquisadores que trabalham com o mico-leão-dourado no Rio de Janeiro propuseram a vacinação desses animais. A ideia inicial é vacinar pelo menos 500 micos-leões-dourados. Esse número foi pensado para garantir uma população mínima viável que possa se recuperar e recolonizar a área, caso haja uma nova epidemia. Esse trabalho é conduzido pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF), o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ) e a ONG Save The Golden Lion Tamarin, com acompanhamento de órgãos dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.

 

É importante destacar, também, as contribuições dos zoológicos na conservação dessa espécie. O manejo desses animais sob cuidados humanos é realizado de forma integrada por todos os zoos que os abrigam, e sua reprodução é cuidadosamente planejada baseando-se em critérios genéticos, dentre outros. Essa estratégia garante a proteção nessas instituições de um percentual significativo da população desses animais em condições saudáveis e geneticamente viáveis, possibilitando assim o desenvolvimento, sempre que necessário, de programas de reintrodução de indivíduos na natureza. Além disso, por meio dos seus programas educativos, são capazes de sensibilizar as pessoas para a importância de se preservar essa espécie e o seu habitat.

 

Contribuições do Jardim Zoológico de Belo Horizonte/FPMZB

 

Essa espécie integra o plantel do Jardim Zoológico de Belo Horizonte/Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica desde o ano 2000. Os animais são mantidos em um recinto de aproximadamente 35m2 x 4,5 metros de altura na área de visitação da Instituição. Graças ao trabalho que vem sendo realizado e a dedicação dos seus profissionais, nasceram aqui 17 filhotes. Destes, em 2012 uma fêmea foi destinada à Fundação Parque Zoológico de São Paulo; em 2015 três fêmeas foram destinadas para outras instituições – uma para o Zoológico do Beto Carrero, outra para o Zoológico de Pomerode e a última para o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro; em 2019 um casal foi destinado para o Zoológico de Americana, SP e em 2020 um casal foi destinado para o BioParque do Rio e um macho foi para o Zoológico de Brusque, SC. As transferências são realizadas com orientação e aval do Studbook Internacional desta espécie, do qual o Jardim Zoológico de BH/FPMZB participa, e levam em consideração a genealogia de cada indivíduo.